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Uma escola em Pastoral: um currículo para as Infâncias e as Juventudes

O currículo é um tema inquietante para nós, educadores, que estamos dentro da escola, porque faz parte das práticas culturais que constituem a própria escola. Cenários contemporâneos nos desafiam a refletir sobre tempos e espaços escolares que apresentam certo desencaixe em relação a sujeitos fluídos, conectados por meio redes que borram fronteiras e (re)configuram relações. O currículo é o conjunto de valores e práticas que proporcionam a produção e a socialização de significados que contribuem na construção de identidades sociais e culturais dos educandos.

A pedagogia da Rede Santa Paulina propõe um método de educação e evangelização com uma proposta curricular que trabalhe a interface de uma escola em pastoral.  Em nosso Projeto Político Pedagógico Pastoral o ”termo escola em pastoral quer traduzir um novo paradigma para a escola. Escola em pastoral refere-se à perspectiva de uma escola, toda ela pensada e operacionalizada, integrando as dimensões pedagógica, financeira, educacional e pastoral. A dimensão pastoral, aqui, está relacionada a uma perspectiva de gestão cristã que combina as exigências de qualidade na entrega do serviço às exigências de qualidade nas relações, embasadas na pedagogia do amor” (p.30, 2013). Pastoral remete, assim, a opção por um modo de vida marcadamente comunitário. A sua realização pessoal está diretamente relacionada à missão da qual faz parte e é percebida como uma ação com finalidade de transformar a pessoa, a comunidade e a sociedade. O currículo da Rede Santa Paulina, além de organizar a experiência de construir saberes e conhecimentos, também se propõe a construir um conjunto de valores.

Novas sensibilidades têm permitido aos sujeitos outras formas de perceber as infâncias e as juventudes, na sua diversidades e pluralidades, produtores de cultura e saberes, que nos desafiam para que novas teias sejam tecidas, e novos pontos de ligação nos mostrem como podemos testemunhar a espiritualidade. Se a contemporaneidade construiu um cenário pouco propício para a vivência da partilha, é através do legado de nossa fundadora que nos aproximamos, acolhemos uns aos outros.

Atenta a esses desafios contemporâneos, a Escola Fátima tem buscado sensibilizar e envolver seus educandos e educandas em ações que os ajudem a expressar a vivência dos valores apreendidos em sala de aula. O olhar atendo dos educadores às manifestações e criações das crianças, revela as proposições do trabalho pedagógico da Escola, ou seja, as intervenções do adulto fazem parte das novas descobertas infantis por meio de projetos, saídas de campo, brincadeiras, meditação, escuta e presença na vida acadêmica das crianças. As iniciativas como, Grupos de Jovens e Voluntariado, também têm instigado o protagonismo juvenil, alargando os horizontes dos envolvidos, oportunizando assim vias possíveis de expressão da responsabilidade social e sensibilidade para com a comunidade local. Esta experiência tem fortalecido as concepções da Escola em relação as juventudes e ampliado os entendimentos de que a presença do jovem na Escola é uma das potencialidades que temos, como educação, em contribuir com a transformação da realidade por meio do seu currículo.

As práticas cotidianas podem despertar reflexões produtivas, por isso compartilhamos algumas vivências da Escola Fátima. Deste modo, vale pensar sobre a experiência a partir de Larrosa (2002, p.25), que se refere ao sujeito da experiência como um território de passagem, uma superfície sensível sobre a qual são inscritas marcas, produzidos afetos, depositados vestígios e efeitos, um ponto de chegada que dá lugar ao que recebe, àquilo que nos passa “um espaço onde tem lugar os acontecimentos”.

 

 

REFERÊNCIAS

LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. Revista Brasileira de Educação Jan/Fev/Mar/Abr 2002 Nº 19. P 20 a 28.

Rede Santa Paulina – Projeto Político Pedagógico Pastoral, 2013.